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Programática

AdSense, Ad Exchange e MCM: a diferença que muda a sua receita

Todo publisher que cresce recebe a mesma proposta: “a gente coloca você no Ad Exchange via MCM”. Vale entender o que isso quer dizer antes de assinar.

Leandro Bruzaferro5 min de leitura

Quase todo site de conteúdo no Brasil começa a monetizar do mesmo jeito: cria uma conta no AdSense, cola o código, espera. Funciona, paga o servidor e, em algum momento, para de crescer. É nesse ponto que aparece o e-mail de alguém oferecendo “Ad Exchange via MCM”, com a promessa de que o RPM sobe.

O problema é que os três nomes circulam como se fossem sinônimos, e não são. Um é produto, o outro é plataforma, e o terceiro nem é produto: é um tipo de relação contratual. Confundir isso é a razão de a maioria das conversas comerciais desse mercado ser feita no escuro.

AdSense é o balcão

O AdSense é a porta de entrada. Você cria a conta sozinho, cola a tag, e o Google vende o seu espaço em leilão para os anunciantes da rede dele. Não há negociação, não há gestão de inventário, não há controle fino sobre piso de preço ou sobre quais compradores enxergam o seu site.

Isso é uma vantagem no começo e um teto depois. Vantagem porque não exige estrutura nenhuma, e teto porque o AdSense sozinho não te dá acesso à demanda que compra por programática aberta em escala. Você está vendendo no balcão, e o balcão tem preço de balcão.

Ad Exchange é o pregão

O Ad Exchange é a bolsa. Ali o mesmo espaço é disputado por muito mais compradores, incluindo os que compram via DSP com dados próprios, e você passa a poder definir piso de preço, bloquear categorias, organizar o inventário por seção e negociar acordos diretos.

A diferença de receita entre um e outro não vem de mágica, vem de competição: mais gente disputando o mesmo espaço tende a elevar o preço de fechamento. Mas o Ad Exchange vive dentro do Google Ad Manager 360, que é produto de conta grande, com contrato, volume mínimo e operação dedicada. Um site de nicho não entra sozinho.

MCM não é produto, é uma relação

É aqui que entra o terceiro nome. MCM significa Gerenciamento de Múltiplos Clientes, e a documentação do Google Ad Manager descreve com todas as letras o que ele é: um recurso do Ad Manager 360 que permite a um publisher principal administrar inventário e contas de publishers secundários.

A relação tem nome próprio: quem pede o acesso é o pai, quem concede é o filho. E existem dois tipos de delegação, que mudam completamente o que acontece na prática.

  • Gerenciar conta: o filho dá acesso à própria conta e o inventário continua sendo gerenciado ali dentro. Você mantém a sua casa e alguém entra para operar.
  • Gerenciar inventário: o filho delega o inventário ao pai, que passa a gerenciá-lo dentro da conta dele, usando as tags do pai com os identificadores da conta filha. Você passa a operar na casa do outro.

Um mesmo filho pode ter um pai do tipo “gerenciar conta” e vários do tipo “gerenciar inventário” ao mesmo tempo. Essa distinção é a primeira pergunta que você deveria fazer numa proposta, e é a que quase nunca aparece espontaneamente.

Quem responde quando dá errado

Esta é a parte que muda o jogo e que raramente é explicada. As Diretrizes para Parceiros do Google Ad Manager dizem que o pai é “totalmente responsável por todas e quaisquer violações da política no respectivo Inventário Filho, sejam causadas pelo Pai, pelo Filho ou por qualquer outra parte”.

Ou seja: se o seu site der problema, quem leva a conta é o parceiro. E é exatamente por isso que um parceiro sério audita antes de te aceitar. A auditoria não é burocracia dele, é sobrevivência.

As mesmas diretrizes exigem que o pai registre com exatidão o inventário filho e o proprietário dele, que exista relação contratual direta entre os dois, e que o filho seja de fato dono de todos os sites do inventário, incluindo o domínio raiz. O Google se reserva o direito de desativar o acesso do pai quando isso não bate.

Junte isso ao que já vale para qualquer publisher: a definição de tráfego inválido do Google não pergunta pela sua intenção, e um problema no seu site é um problema na conta de quem te representa. Um parceiro que aceita qualquer site sem olhar não está sendo generoso com você, está sendo descuidado com a própria operação, e quem paga a conta desse descuido é o acervo inteiro que ele representa.

O que perguntar antes de assinar

  1. 01Qual é o tipo de delegação, gerenciar conta ou gerenciar inventário? A resposta define de quem é a casa.
  2. 02O contrato é direto entre nós dois? As diretrizes exigem isso, então uma resposta vaga aqui é um sinal.
  3. 03Qual é a divisão de receita, e ela é sobre a receita bruta ou sobre a líquida? A diferença entre as duas bases costuma ser maior que a diferença entre as porcentagens.
  4. 04Qual o prazo e como é a saída? Delegação de inventário se desfaz, mas o tempo até o seu inventário voltar a rodar sozinho é tempo sem receita.
  5. 05Que auditoria vocês fazem antes de ligar a tag? Se a resposta for “nenhuma”, você acabou de descobrir o nível de rigor de quem vai responder pelas suas violações.

O resumo honesto

AdSense é onde você começa e onde dá para ficar por muito tempo sem vergonha nenhuma. Ad Exchange é onde a competição pelo seu espaço aumenta. MCM é o único caminho realista de um site de nicho chegar ao segundo sem virar uma operação de mídia por conta própria.

Nada disso é promessa de receita maior. É estrutura diferente, com responsabilidades diferentes, e a pergunta certa nunca é “quanto vou ganhar”, é “quem responde pelo quê”. Quem responde essa segunda com clareza costuma acertar a primeira.

Se quiser ver como a gente organiza isso do lado de cá, a esteira inteira está descrita em uma página só, etapa por etapa, incluindo a que trava tudo quando algo não passa.

Fontes

Todas abertas e conferidas antes de entrarem no texto. Se alguma sair do ar, avise pelo contato e a gente corrige.

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